Resumos
O Brasil foi, recentemente, palco de um dos eventos esportivos mais importantes do mundo, a Copa do Mundo de Futebol💶 de 2014 e, em um futuro próximo, irá sediar os Jogos Olímpicos de Rio 2016.
Esses eventos podem ser considerados como💶 uma grande oportunidade para desenvolver a Ciência do Esporte no Brasil.
A Ciência do Esporte pode ser definida como o processo💶 científico utilizado para orientar a prática do Esporte, com o objetivo, em última instância, de melhorar o desempenho esportivo.
No entanto,💶 apesar deste objetivo, o consenso geral é que aplicação do conhecimento gerado pela Ciência do Esporte na prática ainda é💶 incipiente.
Este ensaio revisita o modelo para o desenvolvimento da Ciência do Esporte, proposto anteriormente por Bishop (1) 1 Bishop D.
An💶 applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
, discute o cenário da Ciência do Esporte no Brasil e também aponta💶 para as perspectivas futuras.
As diretrizes do modelo revisitado, em conjunto com as discussões realizadas neste ensaio, podem ajudar o cientista💶 do Esporte a desenvolver estudos aplicados nos quais os resultados poderiam ser utilizados para orientar a prática e, possivelmente, maximizar💶 o desempenho esportivo.
Introdução
O Brasil vive um momento ímpar em relação ao Esporte, uma vez que sediou, recentemente, a Copa do💶 Mundo da FIFA (2014) e, em 2016, os Jogos Olímpicos serão realizados na Cidade do Rio de Janeiro.
As oportunidades associadas💶 a esses megaeventos são imensas nos mais diversos setores.
No âmbito da pesquisa científica, seria desejável que a realização dos eventos💶 esportivos mais importantes do mundo também impulsionasse o desenvolvimento da Ciência do Esporte no país.
Levando em consideração esse cenário favorável,💶 é imprescindível uma reflexão sobre a investigação científica no contexto do Esporte.
Assim, os objetivos deste ensaio são: revisitar o modelo💶 teórico para o desenvolvimento da Ciência do Esporte proposto por Bishop(1)1 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports💶 Med.2008;38:253-63.
, apresentar o panorama da Ciência do Esporte no Brasil e discutir diretrizes e perspectivas futuras.
O que é Ciência do💶 Esporte?
A Ciência do Esporte abrange diversas áreas do conhecimento que visam entender e otimizar o desempenho esportivo.
A Ciência do Esporte💶 pode ser definida como o processo científico utilizado para orientar/guiar a prática esportiva, visando o alcance do desempenho máximo( 11💶 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
- 22 Bishop D, Burnett A, Farrow D.
Sports-science roundtable: does sports-science💶 research influence practice.
Int J Sports Physiol Perform.2006;1:161-8.).
A investigação no âmbito esportivo tem (ou deveria ter) como finalidade principal a utilização💶 do conhecimento científico, considerando a melhor evidência disponível, no ambiente apropriado, para um determinado atleta (ou grupo de atletas), com💶 intuito de maximizar o seu desempenho(1)1 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63..
Com relação ao papel do💶 cientista do Esporte, vale a pena destacar a recente definição proposta por Coutts(3)3 Coutts AJ.
In the age of technology, Occam's💶 razor still applies..
Int J Sports Physiol Perform 2014;9:741.
: "promover a inovação com a expectativa de que isso se traduza em💶 uma vantagem competitiva.
" Essa definição, apesar de simples, esclarece apropriadamente a função do cientista do Esporte.
Porém, se a definição do💶 papel exercido é relativamente simples, essa tarefa, por outro lado, é extremamente complexa.
A fim de se garantir que as evidências💶 sejam levadas a cabo no dia a dia de atletas, treinadores e profissionais envolvidos no contexto esportivo, é imperativo que💶 estudos bem delineados sejam conduzidos e os seus resultados sejam colocados em prática no cotidiano do Esporte( 11 Bishop D.
An💶 applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
- 22 Bishop D, Burnett A, Farrow D.
Sports-science roundtable: does sports-science research influence💶 practice.
Int J Sports Physiol Perform.2006;1:161-8.).
Qual o impacto da Ciência do Esporte sobre o cotidiano do Esporte?
Esse questionamento acima incita o💶 velho dilema: teoria vs.prática.
Não somente na área do Esporte, mas também em outras áreas do conhecimento, parece haver um consenso💶 que a transferência do conhecimento científico para a prática ainda é muito baixa.
Um exemplo, na área das ciências da saúde,💶 que pode ser utilizado para ilustrar a presente discussão, é o da Psicologia.
Em um estudo recente(4)4 Gyani A, Shafran R,💶 Myles P, et al.
The gap between science and practice: how therapists make their clinical decisions.Behav Ther.2014;45:199-211.
, realizado na Inglaterra, 736💶 psicólogos responderam um questionário eletrônico sobre as suas condutas clínicas.
No referido estudo, foi constatado que a pesquisa científica tem pouca💶 influência sobre os processos de orientação teórica e tomada de decisão referentes à prática clínica, em comparação a outros fatores💶 (ex.
experiência clínica e supervisão).
Outra área que apresenta um cenário similar é a Enfermagem.
Ajani e Moez(5)5 Ajani K, Moez S.
Gap between💶 knowledge and practice in nursing.
Procedia - Soc Behav Sci.2011;15:3927-31.
conduziram uma revisão de literatura e reconheceram a existência de um "gap"💶 entre o conhecimento científico e a prática da Enfermagem.
Diante do referido cenário, estes autores apresentaram recomendações para minimizar a distância💶 entre a teoria e a prática.
Primeiro, 1) inserir os professores/educadores na prática clínica, com intuito de reforçar suas habilidades clínicas💶 e vivenciar o cotidiano do enfermeiro; segundo 2) promover o intercâmbio e a troca de experiências entre o professor/educador e💶 o profissional do campo (enfermeiro).
Nesse sentido, um modelo que vem sendo testado em algumas instituições, tem como base a contratação💶 de profissionais que são alocados nas duas posições (professor e enfermeiro) por determinados períodos de tempo.
O professor/educador atua como enfermeiro💶 durante um ano e o enfermeiro como educador no ano seguinte.
E finalmente, outra recomendação importante feita pelos pesquisadores é: 3)💶 reestruturar a formação universitária e estimular a educação continuada no ambiente de trabalho.
O aprendizado baseado em problema e a prática💶 baseada em evidência, incitando o pensamento crítico, são ressaltados como estratégias que devem ser mais incentivadas.
A relação entre a Ciência💶 do Esporte e os treinadores também foi objeto de investigação( 66 Williams J, Kendall L.
Perceptions of elite coaches and sports💶 scientists of the research needs for elite coaching practice.J Sports Sci.2007;25:1577-86.
- 77 Reade I, Rodgers W, Hall N.
Knowledge transfer: how💶 do high performance coaches access the knowledge of sport scientists.
Int J Sports SciCoach.2008;3:319-34.).
Apesar da crença de que a Ciência do💶 Esporte não atende as necessidades da prática, William e Kendall(6)6 Williams J, Kendall L.
Perceptions of elite coaches and sports scientists💶 of the research needs for elite coaching practice.J Sports Sci.2007;25:1577-86.
verificaram congruência entre cientistas e treinadores em alguns aspectos.
Ambos os grupos💶 têm a mesma percepção sobre a importância e a aplicação da pesquisa científica; concordam sobre a metodologia para determinar as💶 perguntas das pesquisas e convergem em relação às competências que treinadores e cientistas deveriam apresentar para atuar no âmbito esportivo.
Entretanto,💶 os treinadores acreditam que existe a necessidade de realizar mais pesquisas na área da Psicologia do Esporte.
Além disso, esses profissionais💶 destacam que esse conhecimento precisa ser divulgado de forma mais acessível.
Em outro estudo na área do Esporte, Reade et al.
(7)7💶 Reade I, Rodgers W, Hall N.
Knowledge transfer: how do high performance coaches access the knowledge of sport scientists.
Int J Sports💶 SciCoach.2008;3:319-34.
buscaram respostas para importantes perguntas relacionadas a esse contexto, aplicando um questionário estruturado composto por 33 itens, delineado para examinar💶 como o conhecimento produzido pela pesquisa em Esporte era transferido para os treinadores de elite no Canadá.
Duzentos e cinco treinadores💶 canadenses responderam ao questionário, reconhecendo a importância da ciência para o cotidiano do Esporte( 77 Reade I, Rodgers W, Hall💶 N.
Knowledge transfer: how do high performance coaches access the knowledge of sport scientists.
Int J Sports SciCoach.2008;3:319-34.).
Contudo, o resultado do estudo💶 também demonstrou a existência de lacunas entre as necessidades dos treinadores e o que tradicionalmente é pesquisado na área, especialmente💶 no que concerne aos aspectos técnicos e táticos( 77 Reade I, Rodgers W, Hall N.
Knowledge transfer: how do high performance💶 coaches access the knowledge of sport scientists.
Int J Sports SciCoach.2008;3:319-34.).
Os treinadores apontaram ser mais inclinados a buscar informação com outros💶 treinadores ou através de participações em conferências de treinadores, ao passo que os pesquisadores do Esporte e suas publicações foram💶 "ranqueados" em nível inferior como fontes de informação( 77 Reade I, Rodgers W, Hall N.
Knowledge transfer: how do high performance💶 coaches access the knowledge of sport scientists.
Int J Sports SciCoach.2008;3:319-34.).
As principais barreiras ressaltadas pelos treinadores para o acesso ao conhecimento💶 científico foram o tempo requerido tanto para identificar os artigos, quanto para lê-los( 77 Reade I, Rodgers W, Hall N.
Knowledge💶 transfer: how do high performance coaches access the knowledge of sport scientists.
Int J Sports SciCoach.2008;3:319-34.).
Além disso, a falta de acesso💶 direto aos pesquisadores foi destacada como outra importante barreira.
É importante destacar que esses países (Austrália e Canadá) encontram-se em outro💶 estágio nesta relação entre a Ciência do Esporte e o cotidiano de treinadores e atletas, em comparação ao Brasil, mas💶 mesmo assim, ainda enfrentam limitações na aplicação do conhecimento científico no contexto prático.
A dificuldade encontrada pelos treinadores, relatada nos estudos💶 anteriormente citados, referente ao acesso e leitura de artigos científicos precisa ser considerada.
Vale ressaltar que atualmente a principal forma de💶 divulgação científica é a publicação de artigos, geralmente, em revistas indexadas, com acesso relativamente restrito.
Esse fato dificulta o acesso à💶 informação por parte dos profissionais que atuam na prática.
Ainda há outro agravante para os treinadores brasileiros, pois grande parte das💶 publicações é realizada em língua inglesa, inclusive, por parte de vários pesquisadores brasileiros e seus grupos de pesquisa.
Esta questão, inclusive,💶 foi uma das principais motivações para a confecção desse ensaio, justamente no sentido de facilitar a disseminação das informações sobre💶 o modelo de investigação em Ciência do Esporte, proposto por Bishop(1)1 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports💶 Med.2008;38:253-63.
(que gentilmente concordou em participar dessa releitura do seu modelo), utilizando a língua portuguesa.
Dessa forma, a barreira do idioma seria💶 minimizada, aumentando as chances de acesso ao conteúdo do modelo, por parte dos treinadores, atletas, estudantes de graduação, entre outros.
Se💶 por um lado (o dos profissionais do Esporte) o acesso à informação é uma limitação, do outro lado (cientistas do💶 Esporte) observa-se outro problema em relação à informação.
Recentemente Coutts(3)3 Coutts AJ.
In the age of technology, Occam's razor still applies..
Int J💶 Sports Physiol Perform 2014;9:741.
, ilustra em seu editorial, publicado no International Journal of Sports Physiology and Performance, o impacto do💶 avanço tecnológico sobre o cenário atual da Ciência do Esporte.
Esse pesquisador ressalta que na era da tecnologia, com a crescente💶 utilização de diversos dispositivos e equipamentos (receptores para o GPS, monitores de frequência cardíaca, acelerômetros, lactímetros, leitores de ELISA, etc),💶 os cientistas tem acumulado "toneladas" de dados e informações.
Entretanto, os mesmos não tem tempo para analisá-los, interpretá-los, e mais importante,💶 apresentá-los para a comissão técnica de uma forma que esses dados possam modificar positivamente a prática diária.
Coutts( 33 Coutts AJ.
In💶 the age of technology, Occam's razor still applies..
Int J Sports Physiol Perform 2014;9:741.
) ainda enfatiza que mesmo na era da💶 tecnologia, com todos os avanços experimentados, o "Princípio da Navalha de Occam" continua válido.
Para esse pesquisador, o uso de ferramentas💶 mais simples (como a Escala de percepção do esforço, por exemplo) pode fornecer informações tão válidas e valiosas sobre a💶 magnitude do esforço do treinamento quanto às disponibilizadas por outros equipamentos mais sofisticados.
Vale ressaltar que esses equipamentos e essas análises💶 são caros e nem sempre estão disponíveis para a comissão técnica na rotina do treinamento.
Atualmente, é possível afirmar que a💶 contribuição da Ciência do Esporte para orientação da prática no Esporte é ainda pequena.
Alguns dados disponíveis na literatura também sugerem💶 que a influência da Ciência do Esporte para a atuação de técnicos e preparadores físicos é insípida( 11 Bishop D.
An💶 applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
- 22 Bishop D, Burnett A, Farrow D.
Sports-science roundtable: does sports-science research influence💶 practice.
Int J Sports Physiol Perform.2006;1:161-8.).
Possivelmente, a forma como as pesquisas têm sido direcionadas contribui também para a baixa transferência do💶 conhecimento gerado pelos pesquisadores do Esporte para a prática profissional.
Ou ainda, o modelo de pesquisa e os interesses plurais dos💶 pesquisadores, muitas vezes distantes das demandas e necessidades do cotidiano do Esporte, também dificultam a produção de conhecimento com potencial💶 de orientar a prática.
Nesse sentido, o desenvolvimento e a aplicação de modelos teóricos que direcionem as ações futuras e aumentem💶 as chances de contribuição efetiva para o Esporte são imprescindíveis.
Diante dessa necessidade, o primeiro objetivo do presente ensaio é revisitar💶 o modelo teórico para a pesquisa no Esporte.
Este modelo, proposto por Bishop11 Bishop D.
An applied research model for the sport💶 sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
, é constituído de oito estágios, que serão abordados brevemente nos próximos tópicos.
Modelo teórico para o desenvolvimento da pesquisa💶 científica aplicada ao Esporte
Em 2008, foi publicado um modelo teórico para o desenvolvimento de pesquisas no Esporte(1)1 Bishop D.
An applied💶 research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63..
Este modelo, proposto por Bishop( 11 Bishop D.
An applied research model for the sport💶 sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
), será brevemente apresentado neste tópico.
A ideia central desse modelo é reduzir a distância entre o conhecimento científico e💶 a prática, visando assim, em última instância, contribuir com a melhora do desempenho esportivo.
Esse modelo contempla diferentes etapas.
As oito etapas💶 do modelo são: 1) caracterização do problema; 2) realização de pesquisas descritivas; 3) identificação dos fatores preditores do desempenho; 4)💶 experimentação dos preditores do desempenho; 5) determinação dos principais fatores preditores do desempenho; 6) realização de estudos de eficácia; 7)💶 avaliação das barreiras para adoção; e 8) implementação do conhecimento no ambiente esportivo real.
Fase 1 - Caracterização do problema
Para a💶 primeira fase proposta por Bishop(1)1 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
, o referido autor faz uma💶 importante consideração e ressalta que apesar de essa fase parecer óbvia e reconhecida como essencial pela maioria dos pesquisadores, é💶 possível encontrar na literatura diversos estudos que, ao contrário do proposto, tiveram código promocional betano novembro 2024 origem baseada, exclusivamente, na conveniência da coleta💶 de dados e na possibilidade de publicação.
Esses estudos, portanto, não seguiram o modelo de pesquisa orientado para resolução de problemas.
O💶 modelo proposto por Bishop( 11 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
) sugere que o pesquisador compreenda💶 os problemas reais enfrentados por treinadores, preparadores físicos e atletas.
Nesse sentido, se possível, seria muito proveitoso que o pesquisador tivesse💶 vivenciado o Esporte em algum momento da código promocional betano novembro 2024 vida.
O pesquisador também deveria considerar a experiência de treinadores e atletas, a💶 fim de priorizar os problemas a serem abordados.
Fase 2 - Realização de pesquisas descritivas
A grande maioria dos estudos disponíveis relacionados💶 à Ciência do Esporte apresenta caráter descritivo.
Bishop(1)1 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
acredita que, provavelmente, isso💶 tenha relação direta com a questão do fácil acesso aos dados, ao invés da orientação para resolução de problemas.
No entanto,💶 estudos exploratórios/descritivos são fundamentais para o levantamento de informações sobre as condições, nas quais o Esporte em questão é realizado,💶 sob os mais diferentes aspectos e dimensões.
Assim, após a identificação do problema (Fase 1), a realização de pesquisas descritivas poderia💶 fornecer suporte para as fases subsequentes do modelo.
Estas pesquisas, por código promocional betano novembro 2024 vez, deveriam incluir estudos que tracem perfis e relatos💶 que descrevam o que efetivamente está acontecendo no âmbito específico (por exemplo, dados antropométricos, características fisiológicas e psicológicas, ingestão alimentar,💶 análise de movimento, rotinas de treinamentos, estratégias de recuperação, entre outros).
Bishop( 11 Bishop D.
An applied research model for the sport💶 sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
) ressalta que este tipo de pesquisa é a base para os próximos estágios, servindo também para incitar novos💶 questionamentos.
Além das pesquisas já realizadas, é pertinente reconhecer que ainda existem muitos dados não publicados neste estágio do modelo.
É importante,💶 portanto, que estas pesquisas continuem sendo desenvolvidas e os dados publicados, a fim de ampliar o panorama referente ao Esporte💶 em questão.
Além disso, é fundamental promover o maior acesso a estas informações, tanto por parte da comunidade científica, quanto dos💶 profissionais envolvidos no cotidiano do Esporte.
Entretanto, vale mencionar que muitos periódicos, por vezes, são resistentes em publicar este tipo de💶 pesquisa, estritamente descritiva, alegando baixa originalidade e contribuição para a área.
Essa resistência pode ser considerada uma ameaça ao desenvolvimento do💶 corpo de conhecimento da área da Ciência do Esporte, pois apesar da importância desse tipo de informação descritiva, pesquisadores podem💶 ser desestimulados, caso a rejeição para esse tipo de investigação seja elevada.
Os editores e revisores dos periódicos da área deveriam💶 entender e reconhecer essa particularidade do fenômeno Esporte, assim estes poderiam diminuir código promocional betano novembro 2024 resistência, pois, é evidente que essas pesquisas💶 podem apresentar originalidade e contribuição relevante para a área.
Alguns importantes periódicos tem estimulado e valorizado esse tipo de publicação, por💶 reconhecerem a relevância dos dados gerados para o aumento do conhecimento relativo à Ciência do Esporte.
Essa sinalização indica, claramente, que💶 apesar de opiniões contrárias, estas pesquisas podem apresentar ainda grande contribuição para a área e trazer para a comunidade resultados💶 originais e pertinentes.
Por exemplo, recentemente, Moreira et al.
(8)8 Moreira A, Bilsborough JC, Sullivan CJ, et al.
The training periodization of professional💶 australian football players during an entire AFL season..
Int J Sports Physiol Perform 2014 Nov 18.
[Epub ahead of print].PMID: 25405365.
publicaram um💶 artigo intitulado "The training periodization of professional Australian Football players during an entire AFL season" no International Journal of Sport💶 Physiology and Performance.
O objetivo desse estudo foi examinar a periodização de atletas de elite de Futebol Australiano, durante diferentes fases💶 da temporada( 88 Moreira A, Bilsborough JC, Sullivan CJ, et al.
The training periodization of professional australian football players during an💶 entire AFL season..
Int J Sports Physiol Perform 2014 Nov 18.
[Epub ahead of print].PMID: 25405365.).
A referida investigação, de caráter descritivo, propiciou💶 estender o conhecimento acerca da carga de treinamento implementada ao longo de 45 semanas da temporada competitiva, de 44 jogadores,💶 com ênfase no relato sobre a distribuição do volume e intensidade de treinamento, características e tipos de sessões de treinamento(💶 88 Moreira A, Bilsborough JC, Sullivan CJ, et al.
The training periodization of professional australian football players during an entire AFL💶 season..
Int J Sports Physiol Perform 2014 Nov 18.
[Epub ahead of print].PMID: 25405365.).
Além disso, foram descritas a carga resultante da participação💶 em jogos oficiais, as diferenças entre a carga de treinamento e a carga de competição por posição, as diferenças na💶 carga de treinamento semanal para distintos períodos de recuperação entre jogos, as zonas de intensidade de carga para os distintos💶 tipos de sessões de treinamento, entre outras informações importantes( 88 Moreira A, Bilsborough JC, Sullivan CJ, et al.
The training periodization💶 of professional australian football players during an entire AFL season..
Int J Sports Physiol Perform 2014 Nov 18.
[Epub ahead of print].PMID:💶 25405365.).
Este tipo de pesquisa, por exemplo, pode auxiliar pesquisadores do Esporte, treinadores e preparadores físicos, a melhor compreender a periodização💶 do treinamento realizada em um dado Esporte, e assim, otimizar a código promocional betano novembro 2024 organização.
Essa mesma abordagem poderia ser aplicada em outras💶 modalidades como, por exemplo, no Futebol, Futsal, Basquetebol, Voleibol, entre outros.
Esse tipo de informação poderia auxiliar, de forma considerável, o💶 avanço do conhecimento sobre as práticas de organização e monitoramento do processo de treinamento esportivo.
Fase 3 - Identificação dos fatores💶 preditores do desempenho (Estudos de regressão)
A segunda fase é fundamental, pois os achados descritivos poderiam apontar o caminho para a💶 solução dos problemas.
Já, a terceira fase envolveria pesquisa focada na melhor compreensão dos fatores que podem afetar o desempenho.
Via de💶 regra, essa fase é caracterizada pela investigação das relações entre variáveis preditoras e desempenho esportivo real.
No modelo proposto, estes resultados💶 seriam a base dos estudos subsequentes de caráter experimental; segundo Bishop(1)1 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports💶 Med.2008;38:253-63.
somente após a identificação dos fatores específicos a serem modificados e as possibilidades para modificá-los, as possíveis intervenções poderão ser💶 planejadas e, assim, futuramente, implementadas.
É importante ressaltar que tais estudos não irão elucidar mecanismos de ação.
O foco dessas pesquisas seria💶 prover informações relevantes sobre os fatores que poderiam ser modificados para melhorar o desempenho esportivo real.
Conforme relatado por Bishop(1)1 Bishop💶 D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
, quanto maior for a associação entre cada variável e desempenho esportivo💶 real, maior será a probabilidade de que qualquer relação observada seja causal.
Entretanto, é preciso analisar esses resultados com extrema cautela💶 e parcimônia.
É recomendado por Bishop( 11 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
) que os pesquisadores considerem💶 os intervalos de confiança e o tamanho da amostra.
Caso haja uma relação causal verdadeira, seria esperado que essas relações fossem💶 replicadas em outros estudos e com outras amostras, em condições e situações variadas.
Infelizmente, é improvável que isso ocorra.
Como resultado da💶 ênfase em "novas descobertas" adotada pela maioria dos periódicos, esta etapa crucial da replicação e confirmação dos resultados originais raramente💶 ocorre.
Mais uma vez, é fundamental conscientizar os editores e revisores dos periódicos da área sobre a relevância dessa replicação de💶 resultados.
Embora, aceitando a necessidade de incentivar a pesquisa original, os pesquisadores da Ciência do Esporte também deveriam tentar reproduzir os💶 achados anteriores em seus novos estudos (por exemplo, investigar e relatar as correlações identificadas anteriormente junto com os novos aspectos💶 de seus estudos).
Relações identificadas de forma consistente, alinhadas com o conhecimento existente e replicadas em diferentes condições e amostras, estão💶 mais propensas a estabelecer relação causa-efeito em ambiente real de treinamento e competição.
No entanto, mesmo se todo o exposto for💶 verdadeiro, os pesquisadores, em colaboração com treinadores e atletas, deveriam considerar explicações alternativas para as relações observadas.
Bishop(1)1 Bishop D.
An applied💶 research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
aponta que estes dois últimos pontos exigem conhecimento teórico-prático sobre a área e os💶 fatores que poderiam influenciar o desempenho esportivo.
No entanto, é importante lembrar que mesmo quando todos os fatores acima são considerados,💶 os estudos de regressão apenas fornecem evidências de relações casuais.
A realização de estudos experimentais para testar essas relações deve ser💶 fomentada e desenvolvida nas seguintes etapas do modelo.
Existem vários exemplos de pesquisa no esporte que utilizaram a "fase 3" em💶 suas abordagens experimentais (estudos de regressão) que poderiam ser utilizados para ilustrar a fase em questão.
Por exemplo, o estudo publicado💶 por Vandorpe et al.
(9)9 Vandorpe B, Vandendriessche JB, Vaeyens R, et al.
The value of a non-sport-specific motor test battery in💶 predicting performance in young female gymnasts..
J Sports Sci 2012;30:497-505.
, no qual 23 ginastas do sexo feminino foram analisadas durante dois💶 anos.
O objetivo do estudo era identificar quais características eram relacionadas com o desempenho competitivo propriamente dito( 99 Vandorpe B, Vandendriessche💶 JB, Vaeyens R, et al.
The value of a non-sport-specific motor test battery in predicting performance in young female gymnasts..
J Sports💶 Sci 2012;30:497-505.).
Estas ginastas, de 7-8 anos de idade, completaram uma bateria de testes que incluía medidas antropométricas, testes físicos, testes💶 coordenativos e caraterísticas técnicas avaliadas pelos treinadores( 99 Vandorpe B, Vandendriessche JB, Vaeyens R, et al.
The value of a non-sport-specific💶 motor test battery in predicting performance in young female gymnasts..
J Sports Sci 2012;30:497-505.).
Os pesquisadores relataram que os testes de coordenação💶 motora se mostraram bons preditores do desempenho e discriminaram o nível das atletas(9)9 Vandorpe B, Vandendriessche JB, Vaeyens R, et💶 al.
The value of a non-sport-specific motor test battery in predicting performance in young female gymnasts..
J Sports Sci 2012;30:497-505..
A conclusão do💶 estudo, portanto, sugere que os testes de coordenação motora (gerais) podem ser importantes para a identificação precoce das ginastas( 99💶 Vandorpe B, Vandendriessche JB, Vaeyens R, et al.
The value of a non-sport-specific motor test battery in predicting performance in young💶 female gymnasts..
J Sports Sci 2012;30:497-505.).
Adicionalmente, é sugerido pelo estudo que estes testes poderiam ser utilizados nos processos de seleção, em💶 populações relativamente homogêneas de ginastas, as quais exibem perfis semelhantes, tanto no que tange aos aspectos antropométricos quando no que💶 se refere ao perfil físico( 99 Vandorpe B, Vandendriessche JB, Vaeyens R, et al.
The value of a non-sport-specific motor test💶 battery in predicting performance in young female gymnasts..
J Sports Sci 2012;30:497-505.).
A busca pelo avanço no entendimento do valor preditivo e💶 discriminatório de testes e medidas está amplamente associada aos objetivos da fase 3.
O conhecimento gerado nesta fase poderia ser utilizado💶 nas fases seguintes, notadamente, na experimentação dos preditores do desempenho.
Recentemente, uma pesquisa conduzida por Moreira et al.
(dados não publicados) investigou💶 a influência do nível de maturação, das medidas antropométricas e da aptidão física no desempenho em jogos reduzidos de 30💶 jovens jogadores de futebol, pertencentes a um dos mais importantes clubes de Futebol do Brasil.
A concentração de testosterona salivar, as💶 medidas antropométricas, o nível de maturação sexual e o desempenho em testes de potência muscular e resistência à fadiga foram💶 as variáveis independentes selecionadas.
A análise fatorial foi utilizada para identificar as variáveis mais representativas que poderiam ser utilizadas em uma💶 análise multivariada subsequente.
Para verificar a predição do desempenho técnico (múltiplas variáveis dependentes), utilizando-se das variáveis extraídas da análise de componentes💶 principais, uma análise de correlação canônica multivariada foi conduzida, considerando, portanto, dois "sets" de variáveis e não as variáveis isoladamente.
O💶 principal resultado do estudo foi a fraca relação entre o conjunto de variáveis formado pelo perfil hormonal, medidas antropométricas, nível💶 de maturação e desempenho físico e o conjunto de variáveis de desempenho nos jogos reduzidos.
Esses dados sugerem que os fatores💶 preditores utilizados no estudo não são suficientemente robustos para explicar o desempenho específico em jogos reduzidos de Futebol para esta💶 população.
Este resultado também sugere que para uma amostra homogênea de jovens jogadores, as características hormonais, maturacionais, antropométricas e físicas não💶 influenciam o desempenho nos jogos reduzidos.
Fase 4 - Experimentação dos preditores do desempenho
O quarto estágio do modelo envolve a verificação💶 dos fatores, previamente identificados na fase 3, e a busca pelo melhor entendimento da influência desses aspectos sobre o desempenho💶 esportivo.
Uma vez demonstrada a associação (fase 3), a condução destes estudos seria importante para determinar se essa associação é de💶 fato causal.
Tipicamente, este tipo de investigação envolve a manipulação de uma variável (durante a tentativa de controlar ou combinar as💶 outras variáveis) e a medição do efeito subsequente sobre o desempenho.
A realização de estudos randomizados, duplo-cegos (com uma condição placebo💶 ou controle) seria a condição ideal, quando possível, para esta finalidade.
No entanto, conforme explicado por Bishop(1)1 Bishop D.
An applied research💶 model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
, os resultados destes estudos também devem ser interpretados com cautela, pois é muito difícil💶 controlar todas as variáveis que podem influenciar as relações anteriormente observadas, particularmente no "mundo real" do Esporte.
Além disso, os resultados💶 podem ser específicos para a população avaliada, o que implica em uma análise com reconhecimento desta limitação.
Reconhecendo a possibilidade de💶 esses resultados expressarem somente uma resposta específica para determinado grupo, como por exemplo, nos estudos com uma equipe ou mesmo💶 categorias (faixas etárias distintas) de um mesmo clube, Bishop(1)1 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
ressalta que💶 estes dados deveriam ser analisados com parcimônia dada a dificuldade de se controlar todas as variáveis que podem influenciar as💶 relações observadas no "mundo real" do Esporte.
No entanto, Bishop( 11 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
)💶 destaca que é igualmente importante entender a relevância e pertinência desse tipo de investigação, bem como, as possibilidades de avanço💶 que os resultados destes estudos podem trazer para a área especifica.
Adicionalmente, a inclusão de condições placebo ou grupo controle em💶 experimentos no ambiente esportivo, é extremamente difícil de ocorrer e, considerada, por Stone et al.
(10)10 Stone MH, Sands WA, Stone💶 ME.
The downfall of sports science in the United States.Strength Cond J.2004;26:72-5.como antiética.
É razoável admitir que a proposição de Stone et💶 al.
( 1010 Stone MH, Sands WA, Stone ME.
The downfall of sports science in the United States.Strength Cond J.2004;26:72-5.
), considerando a💶 inclusão de condições placebo ou grupo controle como possivelmente "antiética", esteja relacionada ao fato do pesquisador, previamente, baseado em resultados💶 de pesquisas e experiências anteriores, levantar a hipótese de que um determinado protocolo de treinamento tenha grandes chances de induzir💶 incremento no desempenho e que a condição controle, por outro lado, apresente grandes chances de não afetar o desempenho.
A questão💶 central aqui, obviamente, é o quão ético seria propor a inclusão de um grupo controle, considerando o aumento do risco💶 para os sujeitos da amostra, que no caso, seria a estagnação ou deterioração do desempenho.
O quão ético isto seria? Qual💶 a chance real do pesquisador conseguir desenvolver este projeto em uma equipe de alto nível, que irá participar de uma💶 competição oficial ao final do experimento, ou mesmo, durante a condução do experimento? Será que uma alternativa não seria a💶 condução do experimento em diferentes equipes e a subsequente avaliação dos efeitos do modelo proposto sobre as variáveis e atributos💶 importantes para o desempenho, mesmo reconhecendo-se que não seriam comparados diferentes modelos de intervenção, mas sim, o efeito daquela intervenção💶 em uma amostra que efetivamente representa a população de interesse? Será que não é o momento da comunidade reconhecer a💶 importância deste tipo de estudo, ao invés de assumir que tal fato é uma "fragilidade" metodológica, por não contar com💶 o grupo placebo ou o grupo controle? Será que a manutenção desta forma de pensamento não limita o avanço da💶 Ciência do Esporte e ignora a natureza específica desta área?
Fase 5 - Determinação dos principais fatores preditores do desempenho
Esta fase💶 tem como objetivo determinar a melhor intervenção para alterar/influenciar o fator preditor escolhido.
Essa fase deveria ser fortemente orientada pelos dois💶 estágios anteriores, nos quais os fatores que afetam o desempenho foram identificados e testados experimentalmente.
Caso contrário, os pesquisadores podem fazer💶 um grande esforço de investigação (provavelmente até muito interessante) que estabelece o melhor método para alterar um fator que não💶 afeta o desempenho esportivo.
Bishop(1)1 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
ressalta que em muitos casos, uma linha💶 de pesquisa poderia ter início a partir dessa fase, uma vez que outros pesquisadores já tenham estabelecidos os principais fatores💶 que potencialmente afetariam o desempenho.
Esta fase poderia incluir a realização de muitos estudos controlados para determinar a melhor intervenção (frequência,💶 tipo, duração, etc) capaz de alterar o fator preditor de desempenho escolhido.
A palavra "intervenção" é usada em seu sentido mais💶 amplo e pode referir-se: à formação, à orientação nutricional, à alteração técnica, aos métodos de treinamento, etc.
Para Bishop( 11 Bishop💶 D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
), pesquisas visando determinar os mecanismos causais responsáveis pelas mudanças nas variáveis💶 preditoras escolhidas também poderiam fazer parte desta fase.
Uma vez que a melhor intervenção foi identificada (frequentemente com base nos resultados💶 de muitos estudos realizados por diferentes grupos de pesquisa), os estudos de eficácia (fase 6) poderiam, então, ser realizados para💶 determinar o efeito da alteração de uma variável preditora no desempenho real.
Fase 6 - Realização de estudos de eficácia
Os ensaios💶 de eficácia podem ser definidos como testes para avaliar se uma determinada intervenção exerce efeito substancial (positivo ou negativo) sobre💶 o desempenho esportivo em condições reais.
Para Bishop(1)1 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
, os ensaios de💶 eficácia são caracterizados por rigoroso controle das variáveis, nos quais a intervenção padronizada é aplicada de forma uniforme e controlada💶 para uma população específica, homogênea e motivada.
Esta abordagem deveria incluir a seleção aleatória dos participantes, a atribuição aleatória de condições💶 e (se possível) o uso de placebos (idealmente duplo-cego) ou delineamentos do tipo cruzado.
Estudos altamente controlados, realizados em situações de💶 campo, também deveriam ser conduzidos neste estágio, uma vez que, a maioria destes estudos é realizada em um "ambiente artificial"💶 que inclue recursos (e restrições) que muitas vezes não estão disponíveis para treinadores e atletas.
Devido à padronização e controle rigoroso💶 dos ensaios de eficácia, qualquer efeito substancial (ou negativo) poderia ser mais fortemente atribuído à intervenção.
Essa abordagem reducionista (que isola,💶 remove ou controla outros fatores) tem contribuído muito para o avanço da ciência, a despeito da limitação do enfoque fragmentado💶 para a generalização dos resultados.
Estes estudos poderiam gerar resultados de pesquisas muito interessantes.
No entanto, essa pesquisa é muitas vezes criticada💶 por não ser transferível para o campo ou para o "mundo real".
Segundo Bishop(1)1 Bishop D.
An applied research model for the💶 sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
, a necessidade de controle rígido também poderia levar ao desenvolvimento de intervenções que têm uma menor probabilidade💶 de sucesso no "mundo real".
Esta fase é, portanto, essencial para avaliar intervenções potenciais no campo, mas por outro lado, os💶 pesquisadores, treinadores e atletas deveriam reconhecer código promocional betano novembro 2024 limitação no âmbito da abordagem reducionista.
A investigação subsequente, particularmente para a fase 8,💶 é fundamental para determinar se o efeito da intervenção é suficientemente potente para fazer uma diferença na situação real.
Fase 7💶 - Avaliação das barreiras para adoção
Embora haja exceções, os pesquisadores muitas vezes não compreendem e não consideram muitas questões que💶 restringem/limitam o trabalho dos profissionais do Esporte.
Estes profissionais têm de lidar com lesões, nível de motivação, necessidade de recuperação, doenças,💶 calendário de competições, tempo insuficiente, falta de equipamento ou experiência para executar o programa como testado na situação experimental controlada.
Conforme💶 Bishop(1)1 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
explica, o estágio 7 visa, portanto, alertar para as barreiras💶 para aderir uma nova ideia.
Nessa fase é fundamental analisar os fatores que poderiam afetar a implementação de intervenções no campo💶 e estruturar estratégias para minimizá-los.
Uma recomendação que vale destaque, nesse sentido, para essa fase, é a adoção de uma estratégia,💶 cuja aplicação favorecerá uma análise mais detalhada e real sobre as barreiras que serão encontradas.
Por exemplo, a implementação de um💶 "projeto piloto", no qual os pesquisadores, treinadores e atletas possam "experimentar" os procedimentos e analisar o resultado em diferentes perspectivas.
Essa💶 abordagem poderia enfatizar a importância do projeto para os treinadores e atletas, esclarecendo quais seriam as possíveis vantagens da adoção💶 da estratégia investigada.
Esse tipo de ação poderia aproximar cientistas e treinadores, deixando claro que o objetivo final não seria somente💶 "coletar dados", mas auxiliar nos procedimentos e colaborar com a melhoria da qualidade do processo de treinamento como um todo.
Esse💶 cenário poderia favorecer a adoção do modelo de pesquisa, reduzindo as barreiras e aproximando os "atores" envolvidos no processo.
É preciso💶 alterar a visão dos profissionais do Esporte que os cientistas estão simplesmente "correndo atrás" de dados para suas pesquisas, bem💶 como, os cientistas precisam entender que a coleta de dados faz parte do processo, mas não é a principal finalidade.
Fase💶 8 - Implementação no ambiente esportivo real
O último estágio tem como objetivo a implementação e a avaliação de uma intervenção💶 no cenário esportivo real.
Isto é, quão eficaz é a intervenção cientificamente comprovada (desenvolvido a partir das etapas anteriores), quando aplicada💶 à população alvo, dentro das limitações de tempo e recursos limitados, com níveis de conhecimento diferentes da comissão técnica e💶 as outras atividades realizadas pelos atletas? Os delineamentos metodológicos destes estudos podem conter maior variação de erro ou fontes de💶 viés, quando comparados às condições controladas.
No entanto, Bishop(1)1 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
acredita que os💶 resultados obtidos tendem a ser mais relevantes e com maior probabilidade de adoção pelos profissionais do Esporte.
Bishop(1)1 Bishop D.
An applied💶 research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
ainda ressalta que as colaborações entre pesquisadores academicamente treinados e profissionais que têm experiência💶 com o trabalho de campo são essenciais para a realização dos estudos do "mundo real".
Tal colaboração deveria funcionar ao contrário💶 da configuração tradicional, na qual cientistas tendem a trabalhar em seus próprios domínios e não se comunicar bem com os💶 profissionais que possuem a experiência empírica.
Nesse sentido, Moreira(11)11 Moreira A.
Pesquisa, produção de conhecimento, implicações práticas: estamos avançando? Rev Bras Educ💶 Fís Esporte 2014;28:359.
enfatiza que os pesquisadores precisam se aproximar dos profissionais do Esporte, em diferentes instâncias (da iniciação ao alto💶 rendimento), buscando ser cada vez mais críticos com os dados coletados, fazendo perguntas de pesquisa, realmente, relevantes para a situação💶 em questão, contextualizando essas informações com o auxílio dos profissionais que vivem o dia a dia do Esporte.
Moreira( 1111 Moreira💶 A.
Pesquisa, produção de conhecimento, implicações práticas: estamos avançando? Rev Bras Educ Fís Esporte 2014;28:359.
) ressalta que desta forma seria possível💶 ampliar a utilidade da informação gerada, estreitar as relações com o "consumidor final" do conhecimento gerado na academia, garantir a💶 integridade da disciplina acadêmica e, ainda, manter a qualidade da produção científica na área.
Outro ponto importante que deve ser destacado💶 com relação a essa última fase está relacionado à interpretação dos resultados de testes de eficácia.
Alguns fatores potencialmente relevantes para💶 o desempenho poderiam não ser reconhecidos devido à aplicação incorreta da intervenção, às variáveis de confusão ou ao fraco nível💶 de aceitação/adesão dos participantes(1)1 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63..
FIGURA 1
Modelo para o desenvolvimento de pesquisa💶 aplicada, proposto por Bishop (1) 1 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
Aplicando o modelo de pesquisa
Além💶 de revisitar o modelo proposto por Bishop(1)1 Bishop D.
An applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
, o presente ensaio💶 apresenta uma proposta de aplicação do mesmo no cenário nacional.
Conforme já mencionado, anteriormente, as diretrizes sugeridas por Bishop(1)1 Bishop D.
An💶 applied research model for the sport sciences.Sports Med.2008;38:253-63.
podem promover a aproximação entre o conhecimento científico e a prática.
Com base neste💶 modelo, recentemente, o nosso grupo de pesquisa realizou alguns estudos com referência ao Tênis.
Inicialmente, após identificar queixas referentes à redução💶 do desempenho em partidas com maior duração (Problema), por parte de treinadores e atletas, o nosso grupo conduziu um estudo💶 de caso com dois dos melhores tenistas brasileiros (simples) no "ranking" da ATP(12)12 Gomes RV, Coutts AJ, Viveiros L, Aoki💶 MS.
Physiological demands of match play in elite tennis.Eur J Sport Sci.2011;11:105-9..
O referido estudo teve como objetivo investigar as demandas fisiológicas💶 de tenistas durante a preparação para a Copa Davis de 2008.
Este estudo foi publicado no European Journal of Sports Science💶 ( 1212 Gomes RV, Coutts AJ, Viveiros L, Aoki MS.
Physiological demands of match play in elite tennis.Eur J Sport Sci.2011;11:105-9.
)💶 (Estágio de descrição).
Com base nas informações obtidas, o nosso grupo de pesquisa levantou questionamentos sobre as condutas nutricionais adotadas (ex.
hidratação)💶 e as estratégias de treinamento (padrão de intensidade e densidade das sessões de treinamento).
A partir desse estudo, na mesma linha💶 descritiva, o nosso grupo publicou outro estudo de caso na Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano (13)13 Coutts AJ,💶 Gomes RV, Viveiros L, et al.
Monitoring training load in elite tennis.
Rev Bras Cineantropom Des Hum.2010;12:217-20.
, que teve como objetivo determinar💶 a carga interna de treinamento durante sessões de treinamento e competição (Estágio de descrição).
Esta comparação entre as cargas de treinamento💶 e as cargas de competição foi utilizada pelo nosso grupo para investigar a especificidade do treinamento, servindo como "feedback" para💶 treinadores e preparadores físicos.
Nós também publicamos outro artigo na Revista Brasileira de Medicina do Esporte (14)14 Gomes RV, Ribeiro SML,💶 Veibig RV, et al.
Consumo alimentar e perfil antropométrico de tenistas amadores e profissionais.
Rev Bras Med Esporte.2009;15:436-40.
, no qual o perfil💶 antropométrico e a ingestão dietética foram analisados em tenistas amadores e profissionais (Estágio de descrição).
Após a análise da dieta, identificamos💶 a baixa ingestão de carboidrato por parte dos tenistas( 1414 Gomes RV, Ribeiro SML, Veibig RV, et al.
Consumo alimentar e💶 perfil antropométrico de tenistas amadores e profissionais.
Rev Bras Med Esporte.2009;15:436-40.).
Este dado nos levou a investigar o efeito da suplementação de💶 carboidrato sobre desempenho destes atletas.
Apesar da suplementação de carboidrato ser uma estratégia extremamente popular entre os atletas, poucos estudos investigaram💶 o efeito desta manipulação dietética no Tênis.
Além disso, os poucos estudos disponíveis apresentam resultados controversos.
Estes achados foram resumidos em uma💶 revisão de literatura e, posteriormente, publicados na Revista Brasileira de Medicina do Esporte (15)15 Gomes RV, Aoki MS.
A suplementação de💶 carboidrato maximiza o desempenho de tenistas?.
Rev Bras Med Esporte 2010;16:67-70..
Uma vez que o efeito da suplementação de carboidrato permanece controverso,💶 nós decidimos conduzir um estudo para verificar se a suplementação de carboidratos é capaz de influenciar respostas fisiológicas e o💶 desempenho de tenistas.
Esta investigação seguiu o modelo randomizado, duplo cego e cruzado, no qual os mesmos indivíduos jogaram uma partida💶 de Tênis por três horas, recebendo solução placebo ou solução de carboidrato, em duas situações diferentes (Estágio de experimentação).
Uma parte💶 destes resultados foi publicada recentemente no Journal of the International Society of Sports Nutrition (16)16 Gomes RV, Capitani CD, Ugrinowitsch💶 C, et al.
Does carbohydrate supplementation enhance tennis match play performance? J Int Soc Sports Nutr.2013;10:46.
e a segunda parte desse estudo💶 foi publicada no Journal of Strength and Conditioning Research (17)17 Gomes RV, Moreira A, Coutts AJ, et al.
Effect of carbohydrate💶 supplementation on the physiological and perceptual responses during prolonged tennis match play.
J Strength Cond Res.2014;28:735-41..
Nesses estudos, a suplementação de carboidrato💶 não afetou o desempenho dos tenistas, entretanto, o consumo da solução de carboidrato atenuou a secreção de cortisol em relação💶 ao consumo da solução placebo.
Os resultados desses estudos de experimentação foram utilizados para modificar as estratégias nutricionais dos tenistas na💶 prática.
O nosso grupo continua testando/investigando outras estratégias potencialmente ergogênicas para tenistas, visando implementar essas condutas na prática (Estágio de implementação).
Qual💶 é o cenário atual no Brasil e quais são as novas perspectivas?
O Esporte brasileiro há algum tempo vem se destacando💶 no cenário internacional, com resultados significativos em algumas modalidades esportivas.
Esses resultados foram conquistados pelo talento individual dos atletas brasileiros, os💶 quais são estimulados e motivados desde muito cedo a atingirem o alto rendimento esportivo, com o apoio de treinadores capacitados💶 e instituições voltadas para o suporte e incentivo destes atletas.
Apesar destes esforços, não existe no país um sistema de desenvolvimento💶 esportivo, direcionado para a detecção de talentos, monitoramento e aprimoramento desses talentos, visando à formação das futuras gerações de atletas.
Nesse💶 contexto, é imprescindível implantar um sistema de desenvolvimento do Esporte, que possibilite a integração do conhecimento científico e a prática,💶 desde a código promocional betano novembro 2024 base até o rendimento máximo.
Para refletir sobre o Esporte, é preciso pensar além dos resultados competitivos.
É fundamental💶 analisá-lo como um fenômeno complexo, que sofre a influência de diversos aspectos sociais, educacionais e culturais tais como: histórico de💶 vida do atleta e de código promocional betano novembro 2024 família, comissão técnica, apoio financeiro, infraestrutura de treinamento, suporte científico-tecnológico, entre outros.
Essa complexidade inerente💶 ao Esporte exige, cada vez mais, uma abordagem multi, inter e intradisciplinar, contando com diferentes áreas do conhecimento, para a💶 busca dos melhores resultados.
A competitividade do Esporte contemporâneo e a minúscula diferença que separa os principais atletas fazem com que💶 a investigação científica eficiente seja cada vez mais necessária.
Em alguns casos, foram demonstrados valores médios nos resultados entre os medalhistas💶 inferiores a 0,5%.
Nos Jogos Olímpicos de Sydney (2000), por exemplo, a diferença entre o tempo do medalhista de ouro etíope💶 Haile Gebreselassie e do queniano medalha de prata Paul Tergat foi de 0,005%.
O medalhista de bronze, o também etíope Assefa💶 Mezgebu, terminou a prova com uma marca apenas 0,04% abaixo do vencedor.
Tais dados ilustram o conceito de que a busca💶 pela excelência e a vitória nos Jogos Olímpicos passa pela observação criteriosa dos mínimos detalhes, que podem ser cruciais para💶 diferenciar os vencedores de seus pares.
Neste contexto, o conhecimento científico pode ser um fator decisivo para o aumento do desempenho💶 atlético.
No Brasil, um marco inicial para a valorização do Esporte foi a criação do Ministério do Esporte, em 2003( 1818💶 Ferreira RL.
Políticas para o esporte de alto rendimento estudo: comparativo de alguns sistemas esportivos nacionais visando um contributo para o💶 Brasil.
XV Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte; 2007; Recife, BR.Recife: CBCE; 2007.).
No entanto, Ferreira(18)18 Ferreira RL.
Políticas para o esporte de💶 alto rendimento estudo: comparativo de alguns sistemas esportivos nacionais visando um contributo para o Brasil.
XV Congresso Brasileiro de Ciências do💶 Esporte; 2007; Recife, BR.Recife: CBCE; 2007.
ressalta que em comparação a outros países (Alemanha, Austrália, China e Estados Unidos), o investimento💶 do governo brasileiro no Esporte é incipiente.
Ferreira( 1818 Ferreira RL.
Políticas para o esporte de alto rendimento estudo: comparativo de alguns💶 sistemas esportivos nacionais visando um contributo para o Brasil.
XV Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte; 2007; Recife, BR.Recife: CBCE; 2007.
)💶 ainda destaca que no Brasil não existe um instituto governamental específico para apoiar/fomentar o Esporte.
Na tentativa de suprir essa lacuna,💶 o Ministério do Esporte, por meio da Secretaria de Alto Rendimento, estabeleceu a criação de uma rede em parceria com💶 as universidades públicas e com o Comitê Olímpico do Brasil (COB), para a busca pela excelência esportiva( 1818 Ferreira RL.
Políticas💶 para o esporte de alto rendimento estudo: comparativo de alguns sistemas esportivos nacionais visando um contributo para o Brasil.
XV Congresso💶 Brasileiro de Ciências do Esporte; 2007; Recife, BR.Recife: CBCE; 2007.).
A rede de 14 universidades foi intitulada de Rede CENESP, cuja💶 atividade atingiu seu ápice nos Jogos Pan Americanos do Rio 2007 e nos Jogos Olímpicos de Beijing 2008.
O objetivo da💶 Rede CENESP foi fornecer suporte para o processo de avaliação e treinamento de atletas, com o uso de recursos materiais💶 (equipamentos e laboratórios de pesquisa) e recursos humanos das universidades, em diferentes regiões do país e do exterior.
No final de💶 2006, o COB criou o Departamento de Ciência do Esporte, tendo em vista os Jogos Panamericanos do Rio 2007 e💶 os Jogos Olímpicos de Pequim 2008, que em conjunto com a Rede CENESP realizou acompanhamento periódico de 200 atletas da💶 missão brasileira em ambos eventos esportivos.
O objetivo do Departamento de Ciência do Esporte do COB foi fornecer apoio aos atletas💶 de modo aplicado, tentando estabelecer a conexão entre o conhecimento científico e os treinadores esportivos.
Além disso, novas tendências e tecnologias💶 utilizadas para maximizar o desempenho dos atletas foram investigadas, tendo como base o modelo australiano.
Essa aproximação e contextualização permitiram que💶 o Departamento de Ciência do Esporte do COB e a Rede CENESP realizassem testes e avaliações no campo de treinamento,💶 aumentando a especificidade e aplicabilidade dos resultados obtidos.
Essa iniciativa do COB em parceria com o Ministério do Esporte propiciou o💶 atendimento aos atletas com maior suporte científico.
A realização dos testes e avaliações com os atletas de elite, nessa última década,💶 também possibilitou a aproximação da Ciência do Esporte com os profissionais de campo, gerando conhecimento.
Contudo, esse ainda é o primeiro💶 passo do modelo, ou seja, a fase de descrição.
Agora, é preciso avançar, ordenadamente, para as fases de experimentação e implementação.
Dessa💶 forma, será possível buscar soluções embasadas no conhecimento científico, a fim de criar uma prática baseada em evidência.
Alguns pontos ainda💶 são barreiras para aproximar o conhecimento científico do contexto prático do Esporte brasileiro, destacando-se: o conflito de interesses entre os💶 pesquisadores e a comissão técnica (publicações vs.
medalhas), a morosidade da produção do conhecimento científico e o imediatismo inerente ao Esporte,💶 a inexistência de linhas de fomento à pesquisa destinada ao Esporte, a dificuldade na publicação dos resultados em periódicos da💶 área e a grande cobrança do sistema acadêmico-científico por publicações de alto impacto.
Com relação aos dois últimos tópicos, as pesquisas💶 que utilizam atletas como amostra são, frequentemente, criticadas pelo fato da amostra ser, relativamente pequena ou pelo fato do delineamento💶 experimental não seguir o modelo dos estudos randomizados-cruzados com grupo controle.
Mas, qual seria o grupo controle ideal para a Seleção💶 Brasileira de Futebol? Um grupo de universitários saudáveis que participa da "pelada" de fim de semana? Qual grupo de atletas💶 de elite aceitaria interromper a código promocional betano novembro 2024 rotina de treinamento para ser utilizado como grupo controle? Qual comissão técnica aceitaria submeter💶 seus atletas a procedimentos experimentais cruzados durante a temporada competitiva? Em uma publicação sobre os desafios da Ciência do Esporte,💶 Stone et al.
(10)10 Stone MH, Sands WA, Stone ME.
The downfall of sports science in the United States.Strength Cond J.2004;26:72-5.
afirmam que💶 o delineamento experimental "pré vs.
pós-intervenção com grupo controle", frequentemente, utilizado nas pesquisas relacionadas aos benefícios do exercício físico no contexto💶 da saúde, não é factível no contexto do Esporte.
Segundo Stone et al.
( 1010 Stone MH, Sands WA, Stone ME.
The downfall💶 of sports science in the United States.Strength Cond J.2004;26:72-5.
) "atletas por definição são indivíduos únicos; portanto, conseguir um grupo controle💶 comparável seria quase impossível".
Logo, o tamanho da amostra sempre será restrito neste tipo de pesquisa e nem sempre será possível💶 compor o grupo controle apropriado.
Mais uma vez, é importante salientar essas especificidades da área para que os revisores e os💶 editores dos periódicos comecem a considerar essas "limitações" ao julgar este tipo de investigação.
Já no que concerne às linhas de💶 fomento para a pesquisa, duas iniciativas recentes precisam ser mencionadas, a primeira foi a escolha do tema para o XXVI💶 Prêmio Jovem Cientista (2012), "Inovação Tecnológica para o Esporte".
Posteriormente, a segunda foi o edital do CNPq (91/2013) "Seleção pública de💶 projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, voltados para o desenvolvimento do Esporte em suas diferentes dimensões".
Esse tipo de💶 iniciativa, por parte do CNPq, é fundamental para o desenvolvimento da Ciência do Esporte no Brasil.
Entretanto, essas ações precisam ser💶 mantidas e expandidas para outras agências de fomento.
Adicionalmente, cabe também ressaltar que a avaliação dos projetos e a pertinência dos💶 mesmos para as alíneas disponíveis devem ser aperfeiçoadas.
Os avaliadores destes projetos precisam ser orientados por um modelo centrado no desenvolvimento💶 da Ciência do Esporte, de fato.
O julgamento do mérito dos projetos enviados, portanto, deveria incluir uma perspectiva direcionada para o💶 desenvolvimento das pesquisas que tem como objeto de estudo o Esporte, visando maximizar o desempenho dos atletas.
É preciso encontrar mecanismos💶 que tornem essa análise mais eficaz, pois muitos projetos efetivamente associados à Ciência do Esporte podem ser preteridos, favorecendo a💶 indicação de outros projetos que, apesar de bem estruturados e importantes para a área da saúde como um todo, utilizam💶 somente o "esporte" como "pano de fundo".
A realização dos grandes eventos esportivos no Brasil levantou a necessidade de uma preparação💶 adequada de profissionais ligados ao Esporte, assim como, do desenvolvimento de áreas técnicas e científicas.
Diante dessa necessidade, outra ação, relativamente💶 recente, proposta pelo Instituto Olímpico Brasileiro (COB), foi a criação a Academia Brasileira de Treinadores (ABT), em meados de 2012.
O💶 objetivo da ABT, segundo o COB, é melhorar o sistema de preparação esportiva no país, preenchendo a carência na formação💶 do treinador esportivo de alto rendimento.
Essa é mais uma ação implementada pelo COB para tornar e manter o Brasil uma💶 potência olímpica.
Apesar do mérito da ação, é fundamental avaliar de forma continuada a real efetividade e eficácia da ABT.
Questões essenciais💶 deveriam ser alvo de avaliação, como por exemplo, se a prática do treinador está sendo realmente qualificada e se o💶 conteúdo desenvolvido na ABT está de acordo com as expectativas e, principalmente, com as demandas dos treinadores.
Adicionalmente, seria desejável avaliar💶 o efeito desta ação na Ciência do Esporte propriamente dita e se o seu desenvolvimento estaria sendo estimulado e aperfeiçoado💶 a partir desta ação.
De todo modo, não resta dúvida que o Brasil ainda está trilhando os primeiros passos na jornada💶 da Ciência do Esporte, mas é importante ressaltar que outros países já percorreram esses caminhos há muito tempo, utilizando o💶 suporte científico para o desenvolvimento do Esporte.
Estes países criaram centros de treinamento, nos quais atletas e seus treinadores trabalham com💶 cientistas direcionados, exclusivamente, a resolver seus problemas.
As perspectivas futuras, com a realização dos Jogos Olímpicos para o Brasil, ficam por💶 conta da estruturação de Centros de Treinamento, inseridos no contexto atual do Esporte nacional, com um planejamento a longo prazo,💶 no qual o conhecimento gerado possa ser padronizado e implementado em diferentes Estados do país, por núcleos de desenvolvimento e💶 aperfeiçoamento.
Além disso, têm sido discutida a criação de uma Universidade (ou Instituto Federal Tecnológico) do Esporte, utilizando as instalações construídas💶 para os Jogos Olímpicos Rio 2016.
Considerações finais
Não há garantia de que a aplicação deste modelo de investigação proposto irá melhorar💶 o desempenho esportivo.
No entanto, a abordagem do modelo apresentado estimula a construção do conhecimento científico, com maior chance de aplicação💶 prática.
Não reconhecer essa necessidade de aplicar o conhecimento gerado na prática, é algo similar a aceitar que engenheiros passem a💶 investigar somente questões pertinentes à Física e à Matemática, ou que médicos se preocupem única e exclusivamente com o conhecimento💶 e a investigação referente à Bioquímica ou à Biologia.
Portanto, assim como parece ser razoável admitir que estes pesquisadores devam conduzir💶 estudos com aplicação prática, também parece ser pertinente que os cientistas do Esporte conduzam, de forma eficaz, seus projetos de💶 pesquisa, possibilitando a integração entre a teoria e a prática.
Além disso, apesar dos avanços tecnológicos, as ferramentas mais simples, que💶 podem ajudar a responder muitos questionamentos da prática, não devem ser descartadas em detrimento da parafernália tecnológica.
É possível afirmar que💶 a Ciência do Esporte no Brasil ainda se encontra em uma fase embrionária, em comparação a outros países mais desenvolvidos.
No💶 entanto, vale destacar os importantes avanços alcançados na última década.
Para o futuro seria desejável a proposição de novas abordagens e💶 modelos para minimizar a distância entre ciência e a prática, a revisão/alteração do processo de formação dos novos pesquisadores e💶 profissionais do Esporte, a reciclagem dos pesquisadores e profissionais mais experimentes e o surgimento de políticas públicas de incentivo à💶 pesquisa no Esporte.
Essas ações conjuntas são fundamentais para facilitar o desenvolvimento da Ciência do Esporte no Brasil.