Leonardo Picciani, novo secretário do Saneamento
Leonardo é filho de Jorge Picciani, aliado do ex-governador Sergio Cabral e condenado na Lava JatoOuvir notícia
Nomeado para comandar a Secretaria Nacional de Saneamento do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Leonardo Picciani foi deputado federal e ministro da gestão de Michel Temer (MDB).
Além disso, carrega um sobrenome controverso da política do Rio de Janeiro.
O novo secretário assumiu seu primeiro mandato como deputado federalsite de apost2003 aos 23 anos.
Naquele momento, seu pai, Jorge Picciani, acumulava mandatos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e era presidente da Casa.
Formadosite de apostdireito pela Universidade Candido Mendes (UCAM), Leonardo tem, desde quando parlamentar, participação nos negócios desite de apostfamília, na área da produção rural.
Deputado federal por quatro mandatos consecutivos, ele foi também presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada a mais importante da Casa.
Ele era líder do MDB na Câmara quando foi votada a abertura do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff,site de apost2016.
Picciani orientou a bancada do partido pela aprovação do pedido de impedimento - embora ele próprio tenha votado contra.
Mais tarde, foi escolhido ministro do Esporte de Temer, sucessor de Dilma.
Enquanto esteve à frente da pasta, foi acusado de pedir propina de marqueteiro que trabalhousite de apostcampanhas do MDB.
No final da década, Leonardo Picciani também viu seu pai e seu irmão Felipe Picciani serem presos no âmbito da Operação Lava Jato.
Em 2022, ele compôs a ala do MDB que defendeu o apoio à candidatura de Lula desde o primeiro turno.
Sem mandato atualmente, ele comanda o diretório estadual do MDB no Rio.
Leonardo Picciani foi alvo de ações
Em 2003, a Fazenda Agrovás, que constava na relação de bens de Jorge Picciani e do qual Leonardo era sócio, foi alvo de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que flagrou trabalhadoressite de apostcondições análogas à escravidão.
Mais tarde, porém, Jorge Picciani fez acordo com o Ministério Público do Trabalho e conseguiu extinguir a ação civil pública.
Ele se comprometeu a transformar a propriedadesite de apostmodelo de respeito aos direitos trabalhistas.
Recentemente, os empreendimentos da família voltaram a ser alvo da Justiça.
O Ministério Público ajuizou,site de apost2018, ação civil públicasite de apostque acusava a empresa Agrobilara de atos contra a administração pública e improbidade administrativa.
Leonardo é sócio do negócio.
A investigação descobriu operações fraudulentas entre o ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Jonas Lopes de Carvalho e a Agrobilara.
Segundo os promotores, o objetivo de Jonas Lopes era esconder aumento de patrimônio, fruto de dinheiro obtido com propinas, por meio da compra de gado da empresa.
Em 2022, o processo foi suspenso por recurso extraordinário com repercussão geral,site de apostdecisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Herman Benjamin.
Quando ministro de Temer, Leonardo foi acusadosite de apostdelação do marqueteiro Renato Pereira, que atuou para políticos do MDB do Rio de Janeiro.
O publicitário disse que o emedebista cobrou propina para quesite de apostempresa pudesse participar de contratos de publicidade do governo federal.
Na época, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou a homologação da delação.
Somentesite de apost2018 o ministro Ricardo Lewandowski a homologou.
Picciani negou as acusações e as chamou de "fantasiosas".
A CNN procurou Leonardo Picciani por meio do MDB-RJ e do Ministério das Cidades para que comentasse os casos mencionados nesta reportagem.
Por meio desite de apostassessoria, ele afirmou que não irá se pronunciar.
Família Picciani e a Lava Jato
Nos anos 2010, a família Picciani protagonizou páginas policiais ao ser investigada pela Operação Cadeia Velha, desdobramento da Operação Lava Jato.
Jorge Picciani, pai de Leonardo e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, foi um dos maiores aliados do ex-governador Sergio Cabral no Rio de Janeiro.
O deputado estadual foi presosite de apost2017 e condenado a 21 anos de prisãosite de apostsegunda instância, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Jorge Picciani morreusite de apost2021, por complicações decorrentes de um câncer na bexiga.
Tambémsite de apost2017, Felipe Picciani, um dos irmãos de Leonardo e o único dos filhos de Jorge a não ingressar na política, foi preso preventivamente.
Apesar de liberado após nove meses de cárcere, Felipe foi condenadosite de apost2019site de apostprimeira instância a 17 anos de prisão, por lavagem de dinheiro.
Em 2022, contudo, todas as decisões proferidas pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, foram anuladas pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).
Os processos acabaram retirados da Justiça Federal e enviados para a Justiça estadual do Rio.
Nas eleições de 2022, Leonardo e seu irmão Rafael não utilizaram o sobrenome Picciani ao concorrem a cargos eletivos.
Enquanto o primeiro pleiteou reeleição na Câmara, o segundo, cadeira na Assembleia do Rio.
Nenhum dos dois foi eleito.
Além de o sobrenome "Picciani" não aparecersite de apostseus registros de candidaturas, peças eleitorais divulgadas nas redes sociais os apresentam apenas como "Leonardo" e "Rafael".